UERJ e Sindicato apresentam resultados de pesquisa sobre saúde mental dos trabalhadores

O Sindicato dos Bancários de Niterói e Regiões esteve na sede da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), nesta terça-feira (14), onde foram apresentados os resultados preliminares da Pesquisa sobre a Saúde Mental dos Trabalhadores. O estudo foi elaborado por pesquisadores da UERJ e contou com a parceria do sindicato.

O objetivo central da pesquisa é investigar as correlações entre as condições de organização do trabalho, os riscos psicossociais e o uso problemático de medicamentos entre trabalhadores de categorias profissionais estratégicas como bancários, profissionais de enfermagem, trabalhadores de telemarketing e policiais militares no Estado do Rio de Janeiro.

Em relação à categoria bancária, o estudo aponta que o sofrimento psíquico dos bancários é um padrão de desgaste-reprodução determinado pela necessidade de valorização do capital, onde a tecnologia e os modelos de gestão contemporâneos sofisticam as formas de exaustão física e mental.

Resultados derivados de uma amostra de 911 participantes da categoria bancária evidenciaram uma sobrecarga emocional e de trabalho, um ritmo acelerado e interferência na vida pessoal.

A análise dos dados revela um cenário que precisa de cuidados quanto à organização do trabalho e à saúde dos trabalhadores bancários. Veja alguns pontos relevantes:

  • Quase a totalidade da amostra (92,3%) percebe o trabalho como “emocionalmente exigente”. Isso reflete o desgaste mental inerente ao setor bancário contemporâneo, onde a gestão por metas e a mediação constante de conflitos (com clientes e superiores) geram uma sobrecarga psíquica contínua. A necessidade de lidar com problemas alheios (68,7%) configura o que a literatura chama de “trabalho emocional”.
  • O alto percentual de trabalhadores em ritmo acelerado (85,8%) e sob pressão temporal (83,3%) sugere uma política de gestão relacionada à produtividade.
  • O trabalho não se encerra na jornada formal; ele “drena energia” e “ocupa o tempo” da vida privada para 70,2% dos respondentes. Isso aponta para uma falha no equilíbrio entre trabalho e vida, resultando em um empobrecimento dos espaços sociais e de lazer, fundamentais para a recuperação da força de trabalho e manutenção da saúde mental.
  • A preocupação com o desemprego para dois terços da amostra revela uma insegurança emocional consequente a instabilidade no emprego. A insegurança no trabalho é um potente estressor psicossocial que, somado à carga emocional, pode vir a potencializar o risco de transtornos de ansiedade e depressão e impactar os índices de absenteísmo e presenteísmo.

O diretor de Saúde do Sindicato, Pietro Cavallo, falou sobre a pesquisa e alertou para a urgência de buscar soluções para as questões apresentadas.

“Os casos de Síndrome de Burnout e ansiedade cresceram de forma alarmante, evidenciando uma realidade que não pode mais ser ignorada. O adoecimento mental não é exagero, é uma questão urgente de saúde coletiva. Cuidar da saúde mental precisa deixar de ser um discurso e se tornar prioridade concreta. Os dados da pesquisa acendem um sinal de alerta inequívoco e exigem ação imediata”, ressaltou Pietro.

De acordo com o diretor de Saúde, os pesquisadores se colocaram à disposição para realizar uma palestra na base territorial do sindicato, dando continuidade à segunda fase do estudo sobre adoecimento mental.