Proposta dos banqueiros frustra a categoria

A sétima rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), nesta quinta-feira (13), terminou sem avanços.

A proposta apresentada pelos banqueiros prevê o congelamento do piso de ingresso para os novos bancários e reajustes diferenciados para três faixas salariais.

No entanto, não foram apresentados os parâmetros dessas faixas, nem os percentuais para cada uma delas.

Durante o encontro, que começou às 10h e terminou às 18h, a representação dos banqueiros propôs a redução do valor dos vales refeição e alimentação nas cidades do interior.

Segundo a federação, são localidades do país com custos de alimentação menores. Somente nas grandes capitais os vales poderiam ter aumento.

“Eles não querem aumentar o custo, querem simplesmente usar o mesmo valor pago hoje com os vales, tirando de alguns trabalhadores para pagar para outros, como se alguns pudessem comer melhor que outros”, afirmou a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

A Fenaban também ameaçou ir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo para os modelos de reajustes propostos. Porém recuou após um intervalo.

Juvandia Moreira ressaltou que a remuneração média per capita anual paga à diretoria estatutária dos três maiores bancos privados do país chegará a R$ 12,5 milhões em 2026.

“Esse valor é mais de 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário, considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR. É uma diferença salarial que mostra onde os bancos estão escolhendo concentrar a renda”, observou a dirigente.

Juvandia destacou ainda que ainda que o lucro por empregado nos bancos é de 438 mil e nas cooperativas é 173 mil, uma diferença de 153% em favor dos bancos. Dessa forma, os bancários são muito mais produtivos e lucrativos.

Devido à intransigência dos banqueiros, o Comando Nacional dos Bancários vai convocar assembleias para esta segunda-feira (17), para que a categoria delibere sobre o modelo de reajuste, divisão da categoria e congelamento de piso, propostos pela Fenaban.

A assembleia também vai deliberar sobre o dia nacional de mobilização, com paralisação nas bases na quinta-feira (20).

A próxima negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 está agendada para a próxima terça-feira, 18 de agosto.

 

*Fonte: Contraf-CUT