Itaú registra lucro de R$ 37,305 bi, mas mantém demissões e fechamento de agências

Nos primeiros nove meses deste ano, o Itaú Unibanco obteve lucro líquido recorrente gerencial de R$ 37,305 bilhões. O crescimento em relação ao mesmo período do ano passado foi de 8,1%.

No entanto, o lucro bilionário não impediu que o banco eliminasse 3.259 postos de trabalho e fechasse 334 agências físicas no Brasil em 12 meses, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o balanço do terceiro trimestre.

O lucro do Itaú alcançou R$ 12,617 bilhões entre julho e setembro, uma alta de 1,7% em relação ao trimestre anterior.

Já a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) no Brasil chegou a 25,4% no acumulado de janeiro a setembro.

Segundo o movimento sindical, enquanto o banco amplia seus resultados e se beneficia dos avanços tecnológicos, mantém a redução de empregos e estruturas de atendimento, prejudicando trabalhadores e a população com os impactos de sua política de redução de custos.

Dados do levantamento do Dieese mostram a capacidade do banco para preservar empregos e valorizar seus funcionários.

Nos primeiros nove meses do ano, as receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 37,8 bilhões, crescimento de 5,3%. Já as despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), totalizaram R$ 26,7 bilhões.

Dessa forma, apenas as receitas com tarifas e serviços foram suficientes para cobrir 141,1% das despesas com pessoal e PLR, com uma diferença de aproximadamente R$ 11 bilhões, sem considerar os ganhos provenientes das operações de crédito, seguros e outras atividades financeiras.

Em relação à carteira de crédito, o crescimento foi de 10,2% em 12 meses, alcançando R$ 1,544 trilhão.

Sobrecarga e adoecimento

No final de setembro, o banco contava com 80.350 empregados no Brasil, uma redução de 3.259 trabalhadores em relação ao mesmo período de 2025. Só no terceiro trimestre foram fechados 307 postos de trabalho.

Para o movimento sindical, a diminuição do quadro, associada às reestruturações e à cobrança crescente por metas, intensifica a sobrecarga dos funcionários que permanecem no banco, aumentando os riscos de adoecimento físico e mental.

Entidades sindicais cobram transparência na implementação de ferramentas de inteligência artificial respeito à saúde dos bancários e participação dos representantes dos trabalhadores nas decisões sobre reestruturações e mudanças nos processos de trabalho.

O movimento sindical também defende a manutenção de uma rede de atendimento presencial capaz de atender às necessidades da população, especialmente das pessoas idosas, com deficiência ou dificuldades de acesso aos serviços digitais.

Abaixo, a tabela com resumo do balanço do banco:

*Fonte: Contraf-CUT