A Conferência Nacional dos Financiários deu início, nesta quarta-feira (5), aos debates para definir as prioridades da Campanha Nacional 2016.
A análise das condições de saúde dos trabalhadores, do perfil da categoria e dos resultados da Consulta Nacional aos Financiários foram os principais itens da pauta de abertura.
“Iniciamos mais uma Campanha Nacional dos Financiários em um momento importante para a categoria. A mudança da data-base inaugura um novo ciclo de negociações e reforça a necessidade de olharmos com atenção para a realidade desses trabalhadores”, ressaltou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.
Na primeira mesa temática foi apresentado um panorama sobre os impactos da organização do trabalho nas financeiras. Mauro Salles, secretário de Saúde da Contraf-CUT, mostrou um diagnóstico relacionando o modelo de gestão das empresas ao crescimento dos casos de adoecimento entre os trabalhadores.
Mauro explicou que o modelo utilizado pelas financeiras, baseado em pressão comercial, metas agressivas e monitoramento, intensifica os riscos psicossociais, favorecendo o aparecimento de transtornos relacionados ao trabalho.
Também foi abordada a questão da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a incluir a gestão dos riscos psicossociais.
A segunda mesa contou com a participação da técnica do Dieese, Cátia Uehara, que apresentou um panorama atualizado do setor das financeiras e do perfil dos trabalhadores.
De acordo com os dados, o número de financiários voltou a crescer nos últimos anos, chegando a 12.077 trabalhadores em 2025, após um período de retração. São Paulo concentra cerca de 85% da categoria. As mulheres representam 53% da força de trabalho, mas recebem remuneração média 26,1% inferior à dos homens. Também permanecem expressivas as desigualdades salariais entre trabalhadores brancos e negros.
No encontro também foram apresentados os resultados da Consulta Nacional aos Financiários 2026.
Segundo Vivian Machado, técnica do Dieese que assessora a Contraf-CUT, o levantamento registrou a participação de 601 trabalhadores de todo o país, crescimento superior a 230% em relação à consulta realizada em 2024, o que demonstra maior engajamento da categoria na construção da campanha.
Entre as prioridades econômicas apontadas pelos financiários estão o aumento real dos salários (73,5%), o aumento da Participação nos Lucros e Resultados (64,7%) e o reajuste diferenciado para vale-alimentação e vale-refeição (63,7%). Nas cláusulas sociais, destacam-se estabilidade no emprego (49,4%), manutenção dos direitos (30,1%), igualdade de oportunidades (26%) e previdência complementar (23%).
A Conferência Nacional dos Financiários continua nesta quinta-feira (6), com a consolidação das propostas e a aprovação da minuta de reivindicações que orientará as negociações da Campanha Nacional 2026 com as financeiras.
*Fonte: Contraf-CUT