Copom mantém Selic em 15% pela quinta vez consecutiva

Em reunião nesta quarta-feira (28), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Selic (taxa básica de juros) em 15% ao ano.

Esta é a quinta manutenção consecutiva da Selic neste patamar e deixa o Brasil no topo do ranking mundial de juros reais, atualmente em 10,9%, superando a Rússia (8,17%) e a Turquia (6,43%).

Segundo Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), os juros altos penalizam a população, que paga mais caro pelo que compra, pelo crédito que contrai nos bancos e fica com menos dinheiro para gastar e movimentar as empresas.

“Apenas um pequeno grupo se beneficia, em detrimento de toda a população, com a taxa básica de juros elevada, grupo que vive a base de especulação dos títulos da dívida pública, remunerados pela Selic e que usa o mercado financeiro e a grande imprensa para criar um ambiente de terrorismo econômico com o objetivo de manter os juros altos”, afirma Juvandia.

Já o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, observa que “além de boicotar o estado brasileiro, com o desvio de recursos para quem vive de renda, o Copom contribui para o alto índice de endividamento das famílias, porque a Selic elevada incentiva a manutenção de taxas de juros abusivas praticadas em todo o sistema financeiro.”

O principal argumento do Copom para manter a Selic elevada é a necessidade de trazer a inflação para a meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p), para cima ou para baixo. Portanto, não podendo ultrapassar 4,5%.

Porém, o Brasil não tem enfrentado pressões inflacionárias significativas. Segundo divulgação do IBGE, nesta terça-feira (27), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial mostrou alta de 0,20% em janeiro e, no acumulado do ano, de 4,50%, permanecendo dentro do intervalo de tolerância.

 

*Fonte: Contraf-CUT

* Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil