Realizado nos dias 6 e 7 de agosto, no Rio de Janeiro, o Workshop sobre Digitalização e Emprego na América Latina reuniu lideranças sindicais, acadêmicas e representantes da sociedade civil de diversos países latino-americanos.
Os debates focaram na construção de estratégias diante dos impactos das novas tecnologias sobre emprego, as relações de trabalho e os direitos.
O secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, que também participou do encontro, ressaltou que é necessário ampliar o debate, formar dirigentes e, principalmente, garantir que os trabalhadores tenham participação nas decisões sobre a implantação de novas tecnologias.
“A inteligência artificial está avançando numa velocidade muito maior do que o debate no mundo sindical. Precisamos compreender essas transformações, formar nossos dirigentes e, principalmente, levar a IA para a mesa de negociação coletiva. Não podemos permitir que decisões sobre tecnologias que afetam empregos, salários e condições de trabalho sejam tomadas sem a participação dos trabalhadores”, observou o secretário.
Almir Aguiar apresentou, durante o workshop, a experiência dos trabalhadores do sistema financeiro brasileiro, uma categoria que já convive diariamente com os efeitos da digitalização e da inteligência artificial.
Abertura de contas, contratação de empréstimos e realização de investimentos pelo celular reduziram a necessidade de atendimento presencial.
Além disso, chatbots e assistentes virtuais passaram a executar parte do atendimento aos clientes. Ao mesmo tempo, sistemas automatizados são utilizados na análise de documentos, conferência de dados, processamento de operações, concessão de crédito, identificação de fraudes e personalização de ofertas.
As consequências são diretas no emprego bancário, com redução de postos de trabalho, fechamento de agências e substituição de atividades anteriormente realizadas por trabalhadores.
Importante lembrar que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários já possui garantias relacionadas às novas formas de organização do trabalho. Existem 12 cláusulas que regulamentam o teletrabalho, além de regras relacionadas à cobrança de metas por mensagens e aplicativos e à proteção do direito à desconexão.
Segundo Almir Aguiar, a experiência dos bancários demonstra que o movimento sindical não pode esperar que os efeitos das novas tecnologias apareçam para depois tentar enfrentá-los.
“Não somos contra a inteligência artificial nem contra os avanços tecnológicos. O que defendemos é que essa transformação seja negociada e tenha o ser humano no centro das decisões. Se a tecnologia aumenta a produtividade e a riqueza das empresas, os trabalhadores também precisam participar desses benefícios. Inteligência artificial também é pauta sindical e precisa estar na negociação coletiva”, concluiu Almir.
*Fonte: Contraf-CUT