A Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários 2026, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), terá sua terceira rodada de negociações, nesta quinta-feira, em São Paulo.
As reivindicações da categoria nesta mesa abrangem questões sobre igualdade de oportunidades de acesso, ascensão e remuneração para mulheres, negros e negras, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência (PCDs).
Além disso, o Comando Nacional vai reivindicar que os trabalhadores bancários sejam isentos do pagamento de quaisquer tarifas bancárias e que as taxas de juros para operações com cheque especial, empréstimos e cartão de crédito fiquem limitadas em 0,5% ao mês para a categoria.
Dados do Dieese, organizados a pedido do Comando Nacional, apontam que de 2020 até abril de 2026, foram fechados 31,1 mil postos de trabalho no setor, sendo que 80% das vagas eliminadas eram ocupadas por mulheres.
O relatório mostra ainda diferenças significativas de remuneração entre homens e mulheres e grupos raciais na categoria bancária. As bancárias recebem, em média, 18,4% menos que os homens brancos que desempenham a mesma função.
No caso das mulheres negras bancárias a diferença aumenta. Elas têm remuneração média 34,2% inferior aos dos colegas homens brancos.
As desigualdades se aprofundam nos cargos de liderança. No recorte racial, os dados mostram que apenas 24% das pessoas negras (homens e mulheres) estão nos cargos de liderança dos bancos.
As mulheres ocupam cerca de 46% dos cargos de liderança. Porém, a remuneração média feminina nessas funções é 25% inferior à dos homens que ocupam a mesma função.
Entre as reivindicações desta mesa de negociações com a Fenaban estão:
Promoção da igualdade de oportunidades
- Cotas e metas:Admissão mínima de 30% de negros e negras e 1% de pessoas trans (elevando para 2% em quatro anos) nas novas contratações.
• Programa de trainees: Criação de um programa específico para trainees negros, correspondente a 0,5% do quadro funcional, com duração mínima de 6 meses.
• Proteção contra a violência doméstica: Garantia de teletrabalho, desde que solicitado expressamente pela trabalhadora vítima de violência doméstica, e manutenção do vínculo trabalhista por até 6 meses em casos de afastamento necessário.
• Mulheres na tecnologia (TI): Fortalecimento do programa de bolsas de qualificação integrais e reserva de vagas para bancárias na área de TI, combatendo a disparidade de gênero no setor tecnológico.
• Ascensão profissional: Aceleração da contratação de mulheres negras e estabelecimento de metas de gênero para todos os cursos e treinamentos.
Combate ao racismo, discriminações e à LGBTfobia
- Direito de interrupção: O bancário vítima de insulto discriminatório pode interromper o atendimento imediatamente sem ser punido por insubordinação.
• Protocolo nacional contra o racismo: Instituição de canais de denúncia sigilosos e fluxos obrigatórios de apuração com transparência e acolhimento qualificado.
• Transparência:Criação de comissões capacitadas para validar a autodeclaração de candidatos negros e garantir a aplicação correta das políticas afirmativas.
• Proteção à família: Proibição de qualquer discriminação contra pais ou responsáveis por pessoas com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento.
• Isonomia para famílias plurais: Extensão de todos os benefícios e vantagens para parceiros em uniões homoafetivas e famílias plurais.
*Fonte: Contraf-CUT