A nova proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da Caixa será avaliado na próxima segunda-feira (21) em assembleias de trabalhadores, que serão realizadas por todo o país.
A orientação é que cada empregado e empregada conheça o conjunto da proposta, consulte seu sindicato e participe da assembleia de sua base.
Foram mais de dois meses de negociação, mobilização. Assembleias e greve. Mas o texto que irá à votação é bem diferente das primeiras propostas apresentadas pela Caixa.
No principal impasse da negociação, o Saúde Caixa, o banco retirou a cobrança por faixa etária, aumentou sua participação no custeio e preservou o pacto intergeracional.
Todos os direitos dos ACTs específicos, da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e os avanços negociados durante a Campanha Nacional de 2026 foram mantidos.
Importante ressaltar que a proposta não se resume ao Saúde Caixa. Durante as rodadas de negociação houve avanços em Promoção por Mérito, Super Caixa, carreira, pessoas com deficiência, direito à desconexão, licenças, férias, diversidade, saúde dos trabalhadores, atendimento Figital e Genesys, entre outros temas.
Confira os principais pontos da proposta:
1 – Saúde Caixa permanece no ACT e o acordo continua único – proposta afasta a possibilidade discutida anteriormente de separar o plano de saúde do restante do acordo e mantém as cláusulas sociais e de condições de trabalho já negociadas.
2 – Caixa aumenta de 6,5% para 9% da folha o limite de sua participação no Saúde Caixa – Hoje, a contribuição da empresa está limitada estatutariamente a 6,5% da folha de pagamento e dos proventos, mesmo quando a proporção de 70% permitiria maior participação.
Pela nova proposta, o teto sobe para 9% a partir de 2027, e o compromisso deverá constar em cláusula do ACT.
A reivindicação de retorno ao 70/30 não foi atendida integralmente neste momento. Mas elevar o teto de 6,5% para 9% remove parte importante da barreira que vinha impedindo o aumento da participação da empresa e cria melhores condições para continuar buscando essa proporção nas negociações futuras.
3 – Derrotada a cobrança por faixa etária – A proposta preserva o pacto intergeracional e o caráter solidário do Saúde Caixa, no qual jovens, pessoas de meia-idade e idosos permanecem dentro de uma mesma lógica coletiva de financiamento.
4 – Não haverá reajuste das mensalidades do Saúde Caixa em 2026 – o déficit projetado para 2026 não será repassado aos beneficiários por meio de aumento das mensalidades neste ano.
5 – Saúde Caixa terá negociação permanente e acompanhamento mais próximo dos usuários – A Caixa se comprometeu a estabelecer calendário de reuniões mensais sobre o Saúde Caixa, para discutir sustentabilidade, receitas, despesas, gestão e demais temas do plano.
6 – R$ 236 milhões para prevenção e novas fontes de financiamento – A Caixa anunciou R$ 236 milhões para ações de prevenção em saúde a partir de 2027. Independente do teto de custeio do Saúde Caixa. Faz parte da política de gestão de pessoas do banco.
7 – Situação dos empregados pós-2018 entra formalmente na discussão – Outra reivindicação é o direito ao Saúde Caixa após a aposentadoria para empregados admitidos depois de agosto de 2018.
A proposta não resolve imediatamente essa questão, mas inclui o tema no novo modelo de gestão e nas discussões sobre o futuro do plano.
8 – Promoção por Mérito: Alcance.Caixa deixa de ser trava para os deltas – A Caixa retirou o Alcance.Caixa dos critérios para obtenção dos deltas e concordou que os deltas relativos aos anos-base de 2026 e 2027 sejam pagos, respectivamente, em janeiro de 2027 e janeiro de 2028.
9 – Super Caixa terá mudanças imediatas já no segundo semestre – A habilitação passará a garantir 50% da premiação, contra os atuais 25%. O NS será considerado individualmente para os empregados, reduzindo a possibilidade de toda a unidade ser prejudicada pelo resultado de uma única pessoa. O CSAT deixa de ser aplicado individualmente aos demais empregados e permanece vinculado ao gestor-chefe.
10 – Figital e Genesys não terão penalização em 2026 – A Caixa confirmou na fase final da negociação que nem Figital nem Genesys terão penalização em 2026. O modelo para 2027 deverá ser discutido com as representações dos empregados.
11 – Carreira, PFG, PCS, PSI, TI e trabalho remoto continuam em negociação – Outro ganho do processo foi constituir espaços específicos para discutir questões estruturais de carreira. Está prevista participação das entidades nas discussões de PFG, PCS, Processos Seletivos Internos e remuneração variável.
12 – Prêmio de R$ 3 mil e pagamentos previstos para 30 de setembro – A proposta mantém um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, relacionado à superação do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026, indicador que já foi atingido em junho.
13 – Direito à desconexão, férias, PCDs e licença-saúde – O conjunto negociado traz ainda direitos com efeito direto na vida cotidiana dos empregados.
14 – Mais direitos relacionados à saúde, diversidade e ausências – A negociação também consolidou compromissos de diversidade e equidade nos processos seletivos, Censo da Diversidade, políticas de igualdade de gênero e ações de acessibilidade.
15 – Aumento real e direitos da CCT também valem para os empregados da Caixa – Além do ACT específico, empregadas e empregados da Caixa estão abrangidos pelas conquistas da CCT nacional.
A negociação garantiu reposição integral do INPC mais 0,6% de aumento real em 2026 e 2027, inclusive sobre salários e demais cláusulas econômicas. VA, VR, auxílio-creche/babá e PLR também terão reajuste com aumento real.
*Fonte: Contraf-CUT