Continuam, nesta quinta-feira (27), as negociações pela Campanha Nacional 2026 entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Na reunião desta quarta-feira (26), com mais de nove horas de duração, a Fenaban manteve a proposta rebaixada de reajuste à categoria, que foi mais uma vez rejeitada.
A proposta da Fenaban apresentou o mesmo modelo de reajuste anterior, de 2,57% para os salários, demais remunerações e auxílios. Confira os outros itens da proposta da Fenaban:
- PLR: Reajuste do teto da regra básica de 2,57%. Isso impactaria positivamente a PLR de 8% da categoria (beneficiando, portanto, somente cerca de 35 mil pessoas).
O Comando Nacional exige mudanças em toda a regra básica da PLR: reajustes nos tetos, nas parcelas fixas e melhoria na PLR Adicional.
- Vale-alimentação: Reajuste conforme inflação para “alimentação em domicílio”, medida pelo IPCA, hoje em 2,57% e com estimativa de 2,99% para a data-base da categoria (1 de setembro). Esse ajuste significaria perda de 1,1% em relação ao INPC da data base.
- Vale-refeição: Reajuste conforme a inflação da “refeição fora do domicílio”, medida pelo IPCA, hoje em 4,5%.
O Comando Nacional vem apresentando, durante as mesas de negociação, dados apontando que os banqueiros têm condições de atender às reivindicações. Veja, abaixo:
- Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros cresceu 178% acima da inflação;
- Após a pandemia, entre 2020 e 2025, a variação real do lucro no setor bancário apresentou grande crescimento: 61% nos bancos privados, 10% nos bancos públicos; 1.580% nos bancos digitais;
- Em 2025, o setor bancário lucrou R$ 182,4 bilhões (IFData);
- Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões;
- A rentabilidade média dos bancos, desde 2003, fica invariavelmente muito acima da inflação. Mesmo após a pandemia, a rentabilidade média ficou três vezes acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo);
- A taxa de juros reais, diferença entre a taxa de juros e a inflação, no Brasil, é uma das maiores do mundo. Portanto, análises que envolvam comparação de rentabilidade dos bancos com a taxa de juros Selic devem levar em conta a especificidade brasileira.
- Mesmo com a Selic em patamar muito elevado (média de 14,33% em 2025), a ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) média dos bancos supera a taxa. Após a pandemia, ficou, em média, 2,3 vezes acima e, desde 2022, está 1,2 vezes acima;
- O Patrimônio Líquido (PL) somado dos dois setores mais rentáveis que os bancos, em 2025, somou R$ 48 bilhões. O PL do setor bancário foi de cerca de R$ 1,2 trilhão, ou seja, 25 vezes maior.
Somente após as definições da mesa única com a Fenaban é que as mesas específicas por banco, como Banco do Brasil e Caixa, serão retomadas.
*Fonte: Contraf-CUT