A mesa de negociação sobre cláusulas econômicas, entre o Comando Nacional dos Bancários e Bancárias e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), foi realizada nesta quinta-feira (30).
O Comando apresentou dados do Dieese sobre a lucratividade dos bancos, que apontam a capacidade dos bancos de atender as reivindicações da categoria por aumento real na remuneração.
Os dados apontam ainda que os vales alimentação e refeição vem acumulando perdas nos últimos anos, sendo -13% no VA, entre 2019 e 2025, e -3,7% no VR, entre 2023 e 2025.
Para que retomem o poder de compra em relação à cesta básica seria necessário reajuste de cerca de 40%, segundo a coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira.
Outro ponto apresentado foi a questão da PLR. Os dados mostram que, apesar de a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria determinar que os bancos distribuam até 15% de seus lucros, em 2025, somente a Caixa alcançou esse percentual, e o Banco do Brasil se aproximou, com 11%.
Também foi reivindicado um piso para os trabalhadores em TI e, para as funções de entrada na categoria em geral, o “Salário Mínimo Necessário do Dieese” (R$ 7.999,44).
A Fenaban informou que vai analisar as propostas apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários e apresentar um retorno nas próximas rodadas de negociação.

Saúde e Condições de Trabalho
No final da reunião, a Fenaban apresentou retorno sobre as reivindicações de saúde e condições de trabalho, apresentadas pelos trabalhadores em 21 de julho.
Entre as reivindicações está a participação dos trabalhadores na implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº1), com o mapeamento dos riscos psicossociais e acesso às informações de saúde na categoria, a partir de planos de ações desenvolvidos junto às Comissões de Organização dos Empregados (COEs) e à mesa única de negociação.
Apesar de sinalizar disposição para debater, de forma periódica, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas COEs e na mesa única, a Fenaban apresentou antigos argumentos, de que o alto índice de afastamento de bancários estaria ligado a multifatores, principalmente à facilidade de se obter atestados médicos.
Os bancos também atacaram diretamente a Cláusula 29, da CCT, que trata da complementação salarial para os afastados, com duração de até dois anos, com possibilidade de renovação.
A Fenaban propôs a redução desse período para apenas 45 dias. E, após esse período, os médicos do trabalho do banco é que iriam decidir se o trabalhador continuaria ou não afastado.
O Comando Nacional respondeu que não aceita retirada de direitos. E reforçou que, para melhorar as condições de trabalho e qualidade de vida da categoria, são necessárias medidas mitigação dos riscos que reduzam a sobrecarga, incluindo mudanças no modelo de gestão, discussão de metas e a implantação da jornada semanal de quatro dias de trabalho e três de descanso (4×3), sem redução de salários e de direitos.

A próxima negociação está marcada para 4 de agosto (terça-feira), mantendo remuneração e Cláusulas Econômicas como tema.
Participando da mesa, o presidente do Sindicato dos Bancários de Niterói e Regiões, Jorge Antonio Porkinho, disse ter ficado perplexo com a forma como a categoria é tratada pela Fenaban.
“Nossas reivindicações são legítimas e tenho convicção que os bancos têm condições de atendê-las. É uma dificuldade muito grande para valorizar os trabalhadores. Por isso, fique atento, em fortalecer a nossa luta. Essa luta é nossa. Então vem conosco!”, conclamou Porkinho.
*Fontes: Contraf-CUT e Federa-RJ