A minuta de reivindicações dos bancários foi entregue, nesta quarta-feira (24), à Fenaban pelo Comando Nacional, marcando o início da Campanha Nacional Unificada para a reposição da inflação, reajustes salariais e outros direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
A renovação da assinatura deve ser feita até a véspera da data-base da categoria, em 1º de setembro. A primeira mesa de negociação será no dia 2 de julho, em São Paulo.
A fim de garantir a ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho, o Comando Nacional defendeu a assinatura de um pré-acordo. A medida visa dar segurança aos trabalhadores durante o processo de negociação.
A ultratividade assegura a manutenção de todas as cláusulas e conquistas da categoria até a celebração de um novo acordo, preservando direitos e garantindo equilíbrio nas negociações.
Construção coletiva
A coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, explicou que a minuta é um documento construído coletivamente, a partir de conferências regionais, estaduais e com base na Consulta Nacional que, neste ano, teve a participação de cerca de 55 mil bancários e bancárias de todo o país.
Segundo a dirigente, a minuta contém reivindicações gerais e de grupos específicos, a exemplo das pessoas com deficiência, sendo o resultado de uma construção ampla.
Lucro alto
De acordo com matéria publicada pela Contraf-CUT, o lucro líquido do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 114%, no período de 2020 a 2025, com destaque para os bancos digitais, que registraram salto de 2.137% no lucro, seguido pelas cooperativas com 180% de aumento. No mesmo período, os bancos privados e públicos também mantiveram tendência de alta, com crescimento de 114% e 46%, respectivamente.
Apesar dos lucros multibilionários, os bancos mantêm a política de fechamento de agências e redução dos postos de trabalho.
“A luta da categoria bancária por valorização salarial e profissional é uma luta de distribuição dos lucros multibilionários do setor. Os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 145 bilhões em 2025, e neste ano, só os três maiores bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander – já obtiveram lucro de R$ 35 bilhões no primeiro trimestre, resultado 16% maior que do mesmo período do ano passado”, destaca Juvandia.
De acordo com Juvandia, entre 2024 e 2025, foram fechados 14 mil postos de trabalho e mais de 1.300 agências foram encerradas pelos cinco maiores bancos.
Consulta Nacional
Os principais resultados da Consulta Nacional também foram apresentados à Fenaban pelo Comando Nacional.
Os dados mostram que, entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%.
Já nas cláusulas sociais, a principal prioridade é a manutenção dos direitos, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.
A consulta também revelou que 40% dos bancários usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.
O lançamento digital da Campanha Nacional Unificada da Categoria com o tema “Bancárias e bancários feitos de esperança, movidos pela luta” também ocorreu nesta quarta-feira (24).
*Fonte: Contraf-CUT