Quarta, 23 Junho 2021

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Comando Nacional dos Bancários quer cláusula garantidora de empregos na CCT

Publicado em Notícias Sexta, 07 Agosto 2020 10:57

 

Durante a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários, o Comando Nacional da categoria reivindicou a inclusão de uma cláusula de não demissão durante a pandemia do novo coronavírus, na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Vale lembrar que já havia um acordo com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para que não haveria demissões, mas o trato foi descumprido por diversas instituições bancárias.

 

"Responsabilidade social se faz com empregos e os bancos podem manter os postos de trabalho. É isso o que queremos, respeito e dignidade para bancárias e bancários", acredita Adriana Nalesso, membro do Comando Nacional dos Bancários. "Queremos garantia de emprego e que as demissões sejam suspensas. Estamos em um processo de negociação e há bancos estão demitindo", reiterou Juvandia Moreira, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

 

Além da manutenção do compromisso de não demitir, também foi solicitado a realocação e requalificação, criando assim oportunidades para os bancários. Os bancários reivindicam, ainda, a instituição de uma comissão bipartite para discussão sobre os impactos das tecnologias no setor.

 

53% dos bancários entrevistados em pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) afirmam ter medo de ser demitido. Quanto ao teletrabalho, além da demissão, os profissionais também tem medo de ser esquecido e não ter oportunidade de ascensão.

 

De acordo com o Banco Central, foram fechadas 1.028 agências nos últimos doze meses, 193 durante a pandemia. O Bradesco anunciou, recentemente, que deverá fechar mais 400 agências até o final de 2020.

 

Adriana, que também é presidente do Sindicato dos Bancários do Município do Rio de Janeiro, falou sobre o compromisso de não-demissão assumido pelos bancos. "Conseguimos arrancar o compromisso de não demissão dos três maiores bancos do setor. Entretanto, o Santander descumpriu o compromisso fazendo com que centenas de bancários perdessem o emprego", lembrou.

 

Como resposta, o Santander alegou que o prazo para que não houvessem dispensas teria sido de 60 dias. Entretanto, Adriana rebateu o argumento do banco espanhol. "O compromisso foi durante a pandemia suspender as demissões. Portanto, não foi estipulado nenhum prazo, até por que não sabemos quanto tempo vai durar", disse.

 

Sobre a suspensão das demissões, a Fenaban afirmou que dará ficou de dar uma resposta em uma próxima rodada. Quanto ao fechamento de agências, a representante dos bancos disse que as mudanças no mercado de trabalho, os avanços tecnológicos, o aumento do uso de mobile e outros meios digitais de atendimento impactaram na manutenção das agências físicas. Por fim, informou que está montando uma pauta que será apresentada nos próximos encontros.