Sexta, 19 Julho 2019

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Reforma é o desmonte da previdência: confira como foi palestre de ex-ministro em Niterói

Publicado em Notícias Sexta, 26 Abril 2019 14:21

Mais tempo de contribuição. Previdência superavitária ou deficitária. Capitalização é uma boa coisa ou não? Esses foram alguns temas debatidos no bate papo sobre a Reforma da Previdência realizada na noite desta quinta-feira (25/4), no auditório do CDL Niterói, com ex-ministro da Previdência Social, Carlos Gabas. O evento foi organizado pelo Sindicato dos Bancários de Niterói e região.

 

Centenas de pessoas tiveram a oportunidade de tirar dúvidas em relação a pontos específicos da proposta do governo que muda regras importantes da aposentadoria dos trabalhadores como o tempo e as regras de contribuição, as regras de acesso aos benefícios e o sistema de capitalização. Todo o evento foi transmitido pela página do Sindicato dos Bancários de Niterói e região no Facebook ( ) e está disponível para quem quiser assistir.

 

É fundamental e quero parabenizar toda a diretoria do Sindicato dos Bancários que nos 73 anos traz para o município um debate desse num momento desse. O Gabas tem acúmulo suficiente para fazermos a discussão com a sociedade. Temos que estar nas ruas fazendo esse debate, a importância da não-privatização que está sendo proposta pelo governo, que é de entregar a previdência social aos banqueiros", disse Jorge Antônio Porkinho, presidente do Sindicato.

 

Carlos Gabas comentou o fato do trabalhador pagar a conta da reforma.

 

“Primeiro, não é uma reforma, é um desmonte, é um ajuste fiscal que está sendo colocado na conta do trabalhador. A sociedade não ganha nada com isso. Só quem vai ganhar serão os banqueiros e os grandes empresários. A sociedade só vai perder! De R$ 1 trilhão que o Paulo Guedes precisa economizar - que ele não diz de onde é, é um número cabalístico - R$ 900 milhões virá do regime geral da previdência, onde a média de benefício é de R$ 1.400. Ai eu pergunto: aí tem privilegiado?”, indaga.

 

Gabas complementa. “Esse ajuste não combate privilégios, não gera sustentabilidade nenhuma para a previdência e tira direito dos trabalhadores. A única forma de barrar isso é a sociedade se mobilizar. Se não houver mobilização social, isso vai passar feito um trator. E um dos indicadores de que a reforma é ruim é que, o governo diz que ela é boa, então por que precisa pagar R$ 40 milhões para cada deputado votar?”.

 

E continua: “Se ela fosse boa, o governo não precisaria pagar nada, os deputados votariam a favor da população. O governo tá pagando quarenta milhões para cada deputado - e está em toda a imprensa isso - porque a reforma é ruim para a sociedade. É contra o povo brasileiro”, afirma o ex-ministro que completa dizendo que a reforma da previdência proposta pelo governo Bolsonaro “não é para combater privilégio e nem para dar sustentabilidade, é o desmonte do sistema público para substituir pelo sistema privado".

 

Ao comentar sobre capitalização, Gabas lembrou que a proposta apresentar aos militares não possui a opção de capitalização das respectivas previdências.

 

"Obviamente, a reforma não é boa, se fosse os militares pediriam para estar. Eles não só não estão pedindo como não querem a capitalização. Significa que isso é ruim para eles, e por que é bom para o trabalhador? O que o governo está propondo é substituir o sistema público-solidário, que protege, pelo sistema de capitalização individual, que não protege ninguém e só engorda o caixa dos bancos".

 

Por fim, o ex-ministro ainda comentou a situação de quem já é aposentado e está preocupado com uma possível aprovação da reforma.

 

"Aposentado hoje não terá a garantia de, no futuro, continuar recebendo, já que não terá mais fonte de financiamento. É estranho o Paulo Guedes dizer que o novo sistema vai ser melhor que o atual. O atual tem três agentes contribuindo: governo, patrão e empregado, e o Guedes diz que tá quebrado. Qual é a mágica para tirar duas das grandes contribuições (governo e patrão), ficar só com a do empregado e isso ser sustentável. Qual é a mágica? Não vai ter proteção e nem benefício", finaliza.

 

Cerca de 150 pessoas participaram do evento. Entre os presentes estiveram o deputado estadual, Waldeck Carneiro, o vereador Leonardo Giordano, o presidente da CUT/RJ, Marcelo Rodrigues, vice-presidente da Fetraf RJ/ES, Darby Igayara, Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes, Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense, Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, Comissão de Previdência Social da OAB Niterói, Associação Fluminense de Advogados Trabalhistas, Federação Única dos Petroleiros (FUP) entre outros.